Em 2005, entrei na Amazônia em uma expedição a trabalho, levando comigo meu equipamento e o objetivo de produzir imagens para uma revista. Eu acreditava saber exatamente o que estava fazendo ali.
Mas a floresta tinha outra maneira de conduzir as coisas.
Percorrer os rios, aproximar-me de animais a uma distância que às vezes parecia impossível e avançar cada vez mais para dentro da floresta foram experiências que, aos poucos, transformaram meu olhar sobre aquele lugar. A escala de tudo era desconcertante. O silêncio, a água, a densidade da vida e a sensação de estar cercado por algo imensamente mais antigo do que nós produziram uma experiência que jamais consegui traduzir completamente em imagens.
Sempre fui cético diante de experiências espirituais. Ainda assim, no meio daquela imensidão, comecei a me perguntar sobre coisas que até então nunca havia sentido necessidade de questionar: o que pode existir além daquilo que somos capazes de compreender.
Estas fotografias foram feitas durante aquela viagem. Mais de vinte anos depois, ao reencontrá-las, percebo que elas não são apenas registros de um lugar que um dia visitei. São fragmentos de um encontro com algo que, ainda hoje, permanece além de mim.






























