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Do alto, os navios perdem parte de sua escala. Gigantescos porta-contêineres e outras embarcações tornam-se formas quase abstratas sobre uma superfície que parece não ter fim. Vistos à distância, parecem imóveis; entretanto, deslocam toneladas através dos oceanos, conectando portos, cidades e continentes.

O mar, que durante séculos foi fronteira, passagem e território de disputa, transformou-se também em uma imensa via de circulação. Sobre ele se desloca uma parcela fundamental daquilo que produzimos, compramos e consumimos.

REFLUX observa esse movimento sem procurar representá-lo em sua dimensão documental. As fotografias aproximam e afastam, alternando a monumentalidade das máquinas com a vastidão do oceano. Navios aparecem isolados, agrupados, próximos à costa ou diante da cidade, como partes de um sistema cuja escala ultrapassa a experiência individual.

Há, nesse movimento contínuo, uma contradição: para vencer a distância, o peso e a resistência da água, enormes quantidades de energia são mobilizadas. O mesmo sistema que aproxima continentes cria dependências, concentra fluxos e estabelece pontos onde o movimento pode ser interrompido.

Entre o empuxo e o refluxo, entre a circulação e a resistência, estas imagens procuram observar não apenas os navios, mas as forças e os motivos que os colocam em movimento.

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