Em 2009, Shanghai vivia seus últimos momentos de suspensão antes que o ritmo da modernização se tornasse irreversível. INFLECTION captura esse limiar preciso: barbearias de rua e pátios de templos ainda compartilhando espaço com os novos arranha-céus e o movimento subterrâneo do transporte de massa.
As fotografias não celebram o espetáculo da aceleração urbana; em vez disso, procuram os gestos silenciosos de permanência humana negociando seu lugar dentro dela, do cozinheiro de rua ao trabalhador da construção civil, do sono em espaços públicos à breve pausa entre os turnos.
Vistas hoje, essas imagens constituem um testemunho de uma forma urbana que já quase não existe naqueles mesmos lugares, ao mesmo tempo em que marcam a origem de uma questão central em minha prática: a fricção persistente entre a ordenação de um território e a vida que resiste a ela.


































